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Os Aspectos básicos da enxaqueca
Dr. Rogério Adas Ayres de Oliveira

O que é a enxaqueca

A enxaqueca é uma doença crônica que se caracteriza por cefaléia (dor de cabeça) episódica e recorrente associada a sintomas neurológicos, gastrointestinais e neurovegetativos. Afeta principalmente mulheres jovens, tem caráter familiar e pode ser deflagrada por variados fatores, como alterações hormonais, estresse emocional, determinados alimentos, privação do sono, entre outros.

É uma doença muito comum e pode trazer grande perda na qualidade de vida às suas vítimas, além de importante impacto social e financeiro . Estima-se que 15% da população sofra de enxaqueca e esta proporção tem aumentado recentemente, devido ao estilo de vida levado nos grandes centros urbanos.

Existem várias teorias para explicar a enxaqueca. Recentemente tem ganho importância a teoria da disfunção das vias supressoras de dor do sistema nervoso. Estas tem como principais neurotransmissores (substâncias que fazem a "comunicação" entre os neurônios) a serotonina e a noradrenalina. A deficiência destas substâncias predisporia a dor, alterações no controle vasomotor das artérias intracranianas e inflamação neurogênica.

A enxaqueca é uma doença incurável, contudo perfeitamente controlável com os métodos disponíveis atualmente. Drogas eficazes para o combate às crises e prevenção, estão disponíveis. A boa resposta ao tratamento contudo, depende de um bom relacionamento médico-paciente e um nível de informação deste sobre a sua doença e a maneira como esta se manifesta em seu organismo. Esta interação direciona ao tratamento adequado e facilita as devidas e indispensáveis alterações no estilo de vida.

 

Como são as crises de enxaqueca?

Apesar das variações, geralmente seguem as seguintes etapas:

1) Fase de Pródromo (presente em 50-80% das crises): Alterações de humor, irritabilidade, depressão, pensamento lentificado, retenção hídrica, compulsões alimentares, aumento percepção luminosa.

2) Fase de Aura (15-25%): Alterações visuais (escotomas, fosfenas, etc.), dormencia de dedos, braço e labios, desso e sensitivas, confusão mental.

3) Fase de Cefaléia: Geralmente pulsátil e hemicraniana, pode apresentar contudo grandes variações, mesmo no mesmo paciente. Lentificação do pensamento, fonofobia e fotofobia. Contratura reflexa musculos cervicais.

4) Fase de Resolução:

5) Fase pós-crise: Mal-estar, fadiga, dificuldade à concentração, dolorimento musculos cranio-cervicais, inapetência

As crises comumente recorrem em características e intensidades varáveis para cada indivíduo.

 

Fatores de risco: reconhecê-los e evitá-los

Existe uma série de fatores de risco para a enxaqueca, que variam muito de paciente para paciente e cujo reconhecimento é essencial para o controle da doença.

ALIMENTARES: Chocolate, queijos amarelos, frituras, bebidas alcoólicas, molhos, condimentos, defumados, cafeína (café, chás, coca-cola), alimentos com glutamato monossódico , jejum prolongado

HORMONAIS:Menstruação

FÍSICOS: Exercícios físicos prolongados

CRONOBIOLÓGICOS: Privação do sono

QUÏMICOS: Poluição do ar (CO), drogas (nitratos, anti-concepcionais, antihipertensivos, anti-inflamatórios, anti-depressivos, antibióticos,etc...), perfumes

EMOCIONAIS: Luto, perda, morte, etc...

TRAUMA: Emocional ou físico.

 

Fatores Protetores: Mudança no estilo de vida

• EXERCÍCIOS FÍSICOS REGULARES

• REFEIÇÕES LEVES E NUTRITIVAS COM INTERVALOS REGULARES

• SONO ADEQUADO

• MUDANÇA DE ATITUDE FRENTE:

• SAÚDE PRÓPRIA: Portadores de enxaqueca comumente priorizam os desejos e necessidades das pessoas que os cercam em detrimento dos seus próprios.

• INTOLERÂNCIA: Os "enxaquecosos" são reconhecidos por sua meticulosidade, senso de organização que pode ter caráter obsessivo. Desta forma são muitas vezes intolerantes com terceiros e acabam colocando sob seus ombros a responsabilidade e afazeres do grupo em que se insere.

• AO ESTRESSE EMOCIONAL: Priorizar atividades, criando um senso de controle sobre as obrigações cotidianas.

• ATIVIDADES RELAXANTES: Música, dança, leitura, jogos, etc,etc,etc..

• OUTROS: Técnicas relaxamento/respiração, Massagens, Ioga, etc...

 

A transformação da enxaqueca

Para muitos enxaquecosos, felizmente os ataques são infrequentes e respondem bem à medicação. Para outros contudo, os ataques são frequentes e vão mudando de característica com o decorrer do tempo. Três fatores principais concorrem para a cronificação e transformação da enxaqueca para a dita cefaléia crônica diária:

1) Crises frequentes de dificil controle

2) Uso exagerado de medicações analgésica

3) Traumas na região da cabeça ou pescoço
A automedicação e o uso exagerado de medicações analgésica pode perpetuar a cefaléia. Pacientes com crises frequentes podem apresentar dependência fisiológica e psíquica a determinados medicamentos analgésicos e ergotamínicos. Isto constitue uma causa frequente de fracasso no tratamento, pois a introdução de novos medicamentos, tanto preventivos como específicos para as crises, tem mínima ação, enquanto estas drogas continuarem sendo utilizadas indiscriminadamente pelo paciente.

 

Doenças comumente associadas à enxaqueca

Depressão

Ansiedade

Distúrbios do sono

Síndrome do prolapso da valva mitral

Síndrome do cólon irritável

A maioria dos distúrbios acima citados, assim como a enxaqueca, tem o déficit de serotonina como seu principal mecanismo. É importante que estas situações sejam reconhecidas e devidamente tratadas, pois pioram a qualidade de vida do paciente e dificultam o controle da própria enxaqueca.

 

Tratamento medicamentoso

A) CRISES DE ENXAQUECA

Analgésicos/antiinflamatórios:
AAS, dipirona, ibuprofeno, naproxeno, outros
Antieméticos
metoclopramida
Associações medicamentosas
dipirona/cafeína/isometepteno, outras
Derivados do ergot
tartaráto de ergotamina/dihidroergotamina
Serotoninérgicos
sumatriptan, zolmitriptan, rizatriptan

B) PREVENTIVO

Beta-bloqueadores, Antidepressivos tricíclicos
Bloqueadores canal cálcio, Valproato de sódio
Metissergida, Etc

 

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